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«Oh como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;
Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
De vista se me perde, e da esperança.»

(Luís Vaz de Camões, in "Sonetos")

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publicado às 11:58

“Falareis de nós como de um sonho.
Crepúsculo dourado. Frases calmas.
Gestos vagarosos. Música suave.
Pensamento arguto. Subtis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância.
Éramos livres. Falávamos, sabíamos,
e amávamos serena e docemente.

Uma angústia delida, melancólica,
sobre ela sonhareis.

E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio, confusão odienta,
primaveras morrendo ignoradas
nas encostas vizinhas, as prisões,
as mortes, o amor vendido,
as lágrimas e as lutas,
o desespero da vida que nos roubam
– apenas uma angústia melancólica,
sobre a qual sonhareis a idade de oiro.

E, em segredo, saudosos, enlevados,
falareis de nós – de nós! – como de um sonho.”

(Jorge de Sena, in “Pedra Filosofal”)

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publicado às 14:45

15 milhões

01.06.20

Vi há uns dias o filme “Vice”, que retrata a vida de Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos da América nos mandatos de George W. Bush.

Nesta obra de ficção, baseada em factos reais, é possível observar que o poder político não olha a meios para fazer passar a sua mensagem, através da manipulação da opinião pública, com as fake news, os focus groups e, principalmente, com uma comunicação social obediente, que se limita a dar notícia e a não questionar os factos. Vem isto a propósito do subsídio atribuído pelo Governo a vários grupos de comunicação social, no valor de 15 milhões de euros.

Ao que parece, uma larga maioria dos portugueses não quer saber ou não se importa que o dinheiro dos seus impostos seja utilizado para financiar órgãos de comunicação social. E também não se importa que os critérios adoptados para o apoio/aquisição de publicidade sejam pouco transparentes. E também não sabe que esse valor será dez (sim, dez!) vezes mais do que no ano passado. Isto, vindo de um governo que em plena crise dos incêndios de 2017, pediu a um focus group para medir a sua popularidade, diz bem de quais são as suas prioridades: imagem, imagem, imagem!

Felizmente, ainda vivemos em Democracia, temos liberdade de pensamento, de opinião e de expressão que permitem, a mim e a quem pensa como eu, discordar e questionar a forma altamente controversa como este processo se desenrolou. Já outros, preferem enterrar a cabeça na areia e fingir que isto é tudo normal.

(originalmente aqui)

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publicado às 18:34


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